Estudo bíblico pela visão do Núcleo

                                              olhar

Para início desse estudo vamos à questão das terminologias utilizadas. 

Para isso remeto os leitores deste post à leitura do que foi exposto na série “Preleções Nucleares – A Unidade Essencial”, publicada no blog Templo dos Iluminados, em especial ao início da explanação sobre a tabela sinótica com o esquema de duas colunas, no qual na coluna Um, no item 4, está o termo “Consciência” enquanto que na coluna dois, está no item 4 o termo “mente”.  Acessem: 

http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2013/06/prelecoes-nucleares-unidade-essencial-23.html

Para se ter uma ideia da importância de se distinguir a terminologia usada pelos vários autores de ensinamentos espirituais notem que de Joel Goldsmith no Capítulo V do seu livro “O caminho infinito”, cujo título é A Alma, de início a define como sendo a Realidade do Ser. Contudo, ao longo do livro o termo “mente” é utilizado tanto para se referir à “Mente” de Cristo como à “mente” humana.

Para evitar ambiguidade no Núcleo usamos o termo “Consciência” para nos referir à “Mente de Cristo” e o termo “mente” para nos referir à “mente humana”.

Assim, há dois referenciais pelos quais podemos perceber algo, pela mente ou pela Consciência. Joel Goldsmith utiliza o termo “consciência material” quando se refere à percepção pela mente; por vezes usa também o termo “sentido material”, “sentidos finitos” etc, e usa o termo “consciência espiritual” quando se refere à percepção com os sentidos da Alma.

Se por um lado podemos perceber algo pela mente ou pela Consciência aquilo que vemos como sendo a realidade que surge diante de nós é completamente diferente! Isto porque o que percebemos com a mente é a realidade aparente… Mas o que vemos com a Consciência é real. Essa diferença se torna perceptível e evidente quando vemos com a Consciência! A essencial e maior diferença entre estas visões é que apenas na visão da Consciência torna-se evidente que não há nada além de si mesma; não há nada além da própria Consciência, pela qual fica evidente que tudo é expressão da própria Consciência de um Ser Único e Real.

Por isso a terminologia usada no Núcleo usa as expressões “Consciência do Ser” e “mente do personagem” para deixar ainda mais evidente que a única percepção que apreende o Real é a percepção da Consciência, a “percepção consciencial”. 

Assim a percepção mental vela nossa real identidade forjando uma identidade aparente [a de um personagem] enquanto a percepção consciencial desvela nossa real identidade.

Não devemos, contudo, descartar a percepção da mente, que é a percepção com a qual, enquanto representando nossos “personagens”, percebemos a realidade deste “mundo” porque há uma beleza incomensurável neste nosso mundo quando percebemos o que ele realmente é: Uma expressão magnificente da Glória de Deus! E ao mesmo tempo percebemos que é Deus mesmo em nós Quem nos faz conscientes dessa Sua Glória! Perceber “Quem faz” é em si algo glorioso! Esse é o ponto central que quase sempre não é notado com a devida atenção pelos seguidores de qualquer ensinamento espiritual, ou seja, o fato de que só é possível ver a Gloria de Deus através de Sua própria visão!

Foi isso o que Jesus ressaltou quando Simão Pedro o reconheceu como Filho de Deus.

Vejam esta passagem:

Mateus 16 “E, Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. 17 Ao que Jesus lhe afirmou: “Abençoado és tu, Simão, filho de Jonas! Pois isso não foi revelado a ti por carne ou sangue, mas pelo meu Pai que está nos céus.”

No budismo se diria: Somente Buda vê Buda.

Masaharu Taniguchi escreveu: “O mundo da Imagem Verdadeira criado por Deus [mundo da Consciência do Ser] é perfeito e harmonioso, não existindo qualquer mal. Esse mundo existe aqui, neste momento, mas os cinco sentidos carnais não conseguem percebê-lo. Somente a pessoa que desperta aquilo que poderíamos chamar de percepção da Imagem Verdadeira [percepção do Eu Verdadeiro ou percepção da Consciência do Ser] é que consegue ver mentalmente esse mundo perfeito.” [ Leia-se “mentalmente” através da visão da “Mente” do “Eu Verdadeiro”. Segundo a terminologia usado no Núcleo diz-se “consciencialmente”]  [“Imagem Verdadeira e Fenômeno”, página 53 – SNI]

Independente da terminologia usada importa o fato de que podemos apreender o universo que se apresenta a nós com nossa visão ou percepção mental ou com nossa visão ou percepção consciencial. Nosso propósito nesse estudo bíblico é enfocarmos a visão ou percepção consciencial.

O objetivo deste estudo é elucidar que podemos ler a Bíblia do ponto de vista da mente, ou seja, de nossa identidade humana, representada pela segunda coluna na tabela sinótica ou esquema de duas colunas da Unidade Essencial, ou do ponto de vista da Consciência, de nossa identidade divina, que é representada pela primeira coluna. Notamos, entretanto, que a leitura do ponto de vista mental nos dará um enfoque temporal da mensagem divina, ou seja, uma visão de que as coisas acontecem apenas como a mente concebe a realidade, numa percepção de passado/presente/futuro. Por outro lado, a leitura “consciencial” da mesma mensagem divina nos possibilita uma visão “atemporal”, na qual tudo existe num “eterno presente” e, assim, percebemos que a Bíblia é realmente uma revelação divina, algo que nos desperta e nos faz imediatamente conscientes de que Deus é a essência do nosso próprio Ser, e que de fato “vivemos, nos movemos e temos nossa existência em Deus.”

O objetivo deste estudo é enfocar esta percepção.

Então, muitas passagens bíblicas que não tem sentido do ponto de vista mental, passam a ser percebidas como revelações essenciais sobre a natureza da realidade do Ser Real, de Quem realmente somos quando nos identificamos não do ponto de vista da mente, mas sim, da Consciência. Em João 8, 56 Jesus relata uma “percepção consciencial” de Abraão. Sobre este relato os judeus perguntaram a Jesus: Ainda não tem cinqüenta anos e viste Abraão? Perguntaram isto porque Jesus não poderia ter conhecido Abraão, que viveu centenas de anos antes de todos eles, fato que do ponto de vista mental era algo lógico e evidente para todos os presentes naquele encontro, menos para Jesus, que, mesmo sabendo que todos ali o percebiam apenas mentalmente, não retirou o que disse e declarou: “Antes que Abraão existisse Eu Sou”. Esta declaração de Jesus sobre sua real identidade é essencial para o nosso estudo, por ser uma revelação consciencial. Ela significa não apenas que Jesus tem a percepção de sua real identidade real como Cristo, o Filho de Deus, a qual por ser atemporal existe antes do dia do encontro com os judeus, registrado nesta passagem, como significa, também, que existe antes do próprio Abraão. As mentes daqueles personagens todos, os judeus, não conseguiram assimilar a verdade revelada por Jesus. Isto os irritou bastante, e diz a Escritura que eles pegaram em pedras para apedrejá-lo, mas que Jesus se ocultou e retirou-se do templo.

O que importa para nós neste estudo não é condenar os judeus por sua revolta contra Jesus, mas sim, observar que eles agiram mentalmente e, então, não conseguiram assimilar a verdade declarada por Jesus; e, que não devemos proceder da mesma forma. Mas, o ponto mais importante desta passagem está em percebermos que a revelação de Jesus é consciencial. Ela diz respeito à identidade do Cristo, que é atemporal, ou seja, não está limitado à existência no tempo de Jesus, no tempo de Abraão ou mesmo antes de Abraão. Ela não pode ser percebida da forma como a mente concebe a realidade, como algo cindido em passado, presente e futuro. É a realidade eternamente presente.

Cristo declarou EU SOU e, portanto, ele continua sendo real e presente AGORA! No entanto, isto só é possível ser percebido consciencialmente. Jesus é o exemplo perfeito do ponto de vista da mente, que vê a representação divina e muitos personagens,  de um personagem divino consciente de Quem ele é. Como personagem Ele é o próprio Deus “aparecendo como” no mundo dos personagens, para que todos os que nele crerem, ou seja, todos os que perceberem consciencialmente Quem ele É, sejam “Um” com ele, assim como ele é “Um” com Deus. João 17, 22 Esta é uma declaração consciencial, na qual Jesus ora a Deus para que todos percebam o que ele percebe e que sejam o que ele é, para que percebam quem eles também são e que não permaneçam em pecado. Pecar é estar se vendo separado de Deus e, em termos bíblicos, é “pender para a carne”; é “cogitar das coisas da carne”, ou seja, é pender para a mente e permanecer nela. E o maior pecado é negar a existência do Espírito de Deus em nós. Aquele que assim procede “já está julgado”, porque a percepção consciencial está no Espírito, em nossa identidade e natureza divina. Quando a negamos (negar é fazer um julgamento, é estar na percepção mental), nós impossibilitamos que ela se revele e, assim, estamos condenando a nós mesmos a viver percebendo tudo mentalmente, nos isolando da Consciência do Ser em nós, ou seja, nos condenando a não perceber a Onipresença divina, o Espírito Santo, que é perceptível consciencialmente.

Nosso estudo tem o objetivo de nos livrar deste mal, a visão puramente mental da vida. E, então, compreenderemos porque Jesus pediu a Deus, não que nos tirasse do mundo (onde vivem os personagens, que são divinos quando percebidos consciencialmente), mas sim que nos livrasse do mal, desta visão apenas mental que não nos dá uma vida consciente da nossa unidade com Deus. Jo 17, 15

Para finalizar este nosso estudo, vamos a uma passagem bíblica:

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.” 1 Jo 3.2

Apenas quando permitimos que o Espírito de Deus se manifeste em nós, ou seja, quando escolhemos agir conforme a percepção da Consciência do Ser em nós, é que percebemos “Quem” faz, “Quem” está diante de nós e “Quem” realmente somos.

Até então nós estamos na percepção mental, ou seja, estamos alheios à percepção da Consciência. Nós nos mantemos “inconscientes” de Deus e não sabemos o que fazemos.

Por isso Jesus, mesmo estando sendo crucificado, pediu a Deus que perdoasse seus ofensores, porque estava consciente de que eles não sabiam o que estavam fazendo!

A visão consciencial de Jesus muitas vezes surpreendeu e chocou a muitos. Isto fica claro observando a seguinte passagem bíblica:

Novamente, os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo e ele lhes perguntou: “Tenho vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai, por qual delas querem me apedrejar? Então, lhe responderam os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, tu sendo homem te fazes Deus a ti mesmo”. Jo 10, 33.

Aqui também não devemos condenar os judeus, mas sim perceber que aqueles judeus só estavam percebendo Jesus mentalmente e estavam reagindo mentalmente. No Núcleo dizemos: “Você escolhe reagir ao personagem ou interagir com o Ser?” O que acontece é que quando escolhemos “reagir aos personagens” imediata e inadvertidamente nós estamos “agindo mentalmente”, exatamente como aqueles judeus e romanos fizeram!

Para “interagirmos com o Ser” precisamos “ouvir a voz da Consciência do Ser” em nós, e, para isso, precisamos nos dar um tempo, ainda que breve, devemos nos silenciar. Foi o que Jesus ensinou com um ato quando lhe trouxeram a mulher flagrada em adultério, para terem de que o acusar. Então Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão… Como insistissem na pergunta Jesus levantou e disse: Quem estiver sem pecado seja o primeiro a atirar pedra…

Está escrito:

João 8, “6 Eles falavam assim para prová-lo e terem alguma coisa de que o acusar.Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo, como se não tivesse ouvido. 7Porque insistiram na pergunta, Ele se levantou e lhes disse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.”8 E, novamente, inclinou-se e escrevia na terra.”

Notamos que Jesus se deu um tempo antes de simplesmente reagir aos personagens… E é o que devemos fazer antes de agirmos impulsivamente, ou seja, reagir ao personagem.

Por fim, quando acusaram Jesus de blasfemar por se dizer Filho de Deus ele se defendeu dizendo que Quem disse que somos todos filhos do Altíssimo foi o próprio Deus e ainda  enfatizou que a Escritura não pode falhar! João 10.34,35

Contudo, enquanto agimos guiados apenas pela mente estamos inconscientes de nossa relação com Deus. Somente quando passamos a ouvir e a nos guiar pela Consciência é que nos tornamos conscientes de nossa origem e filiação divina. A Bíblia Sagrada diz isto claramente (e como afirma Jesus a escritura não pode falhar) da seguinte forma: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” Romanos 8,14.

Eis a finalidade deste estudo bíblico, sermos guiados pelo Espírito de Deus em nós e agirmos conforme nossa real natureza e identidade de verdadeiros Filhos de Deus!

A paz seja com todos!

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A linguagem da cura pelo Espírito

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De acordo com o caminho da auto-realização, poucas palavras servem de base à arte de curar pelo espírito. Antes de abordar este assunto, quero dizer brevemente o que se entende por auto-realização: É uma doutrina espiritual baseada em uns poucos princípios, que qualquer pessoa pode observar praticamente, independentemente da sua confissão religiosa. O caminho da auto-realização revela a natureza de Deus como sendo o poder infinito, a inteligência e o amor do Universo; e revela o ser de cada indivíduo como uno com a natureza e os atributos de Deus, ser individual esse que se manifesta em inumeráveis formas e espécies; revela ainda que a natureza e a ideia que temos das desarmonias deste mundo resultam de uma concepção errônea sobre a revelação da Divindade no Universo. São estes os princípios universais, baseados na mensagem do Cristo, quando ensina que o homem pode realizar a sua unidade com Deus mediante um contato consciente com Deus, e que o homem, assim realizado em Deus, pode trazer ao mundo harmonia, paz e integridade.

A primeira e mais importante palavra neste processo de cura pelo espírito é o pequeno vocábulo “como”, cuja compreensão exclui para sempre o conceito de dualidade: o Deus universal se revela como ser individual.

Se isto é verdade, então não há Deus e o homem; não há Deus mais tu, por isto, não pode haver pessoa que se possa dirigir a Deus com alguma necessidade.

Durante os anos em que eu dedicava o meu tempo exclusivamente à terapêutica espiritual, aprendi a não considerar os meus pacientes como seres humanos; nem me dirigia a Deus para que eles recuperassem saúde. Eu via Deus em cada pessoa que me visitava; eu via Deus como esse ser individual; e esta verdade creava harmonia. Esta verdade revelava a divindade do ser humano e do corpo deles, e esta revelação se tornou a pedra fundamental do edifício da auto-realização.

Há somente Deus, que manifesta a sua infinita essência e sua natureza espiritual, como teu ser, como meu ser: “Eu e o Pai somos um” – não dois. Nesta unidade és tu tudo que Deus é. Se compreenderes a ideia “como”, que Deus se manifesta como teu ser individual, como meu ser individual, então compreenderás que tudo que Deus é, tu também és.

“Meu filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu”. Eu sou co-herdeiro com o Cristo de todos os tesouros do reino de Deus. “Nada posso fazer de mim mesmo” – mas, em virtude da minha unidade com o Pai, eu sou tudo que Deus é. Onde quer que eu esteja, está o Pai dentro de mim; por isto, onde quer que eu esteja, o Pai age dentro de mim.

Deus, que aparece como ser individual – Deus que se mostra como sendo tu, como eu – é este o caminho da auto-realização. É este o segredo da cura pelo espírito. Esse “tu” ou “eu” não é um reflexo ou uma ideia separada, ou algo que fosse menos que Deus; esse “tu” ou “eu” é Deus mesmo, feito manifesto – Deus Pai, que aqui na terra aparece com um ser individual. Unidade – é este o mistério.

Depois de assimilares esta verdade; depois de viveres nela e a praticares, considerando cada homem, cada mulher, cada criança, cada planta e cada ser individual no mundo à luz do conhecimento: “Isto não é o que parece ser; isto é Deus, que se manifesta como…” então desenvolverás aquela consciência curativa que nunca enxerga o homem na sua humanidade; mas que logo entra em contato com a consciência espiritual dele. Acostumar-te-ás a não ver o homem segundo a sua aparência, mas o verás através dos seus olhos, para além dos seus olhos, na certeza de que lá está o Cristo de Deus. Fazendo isto, aprendes a  prescindir da aparência externa, e, em lugar de tentares curar alguém ou restabelecer alguém ou melhorar alguém, te tornarás verdadeiramente uma testemunha da sua natureza crística, da sua essencial identidade com o Cristo.

Outra palavra, não menos importante que o “como”, é o verbo “é”. Se é verdade que Deus se revela como o ser individual de cada creatura, então a harmonia é a verdade sobre cada indivíduo. E com isto a palavra “é” se torna a palavra-mestra na oração e no processo curativo. Então desistimos de querer curar alguém, desistimos de querer melhorar ou enriquecer alguém; então vivemos constantemente na harmonia da consciência do É, ou do EU SOU. Se Deus é o teu ser, então Deus é a tua harmonia; se tudo que o Pai tem é teu, então, tu estás, agora mesmo, na plenitude e perfeição de Deus; se Deus é a atividade do teu ser, então é a harmonia a lei do teu ser. Se deixares de viver no passado ou no futuro, então vives na consciência do permanente É, do eterno EU SOU.

Mesmo quando encontras um bêbado, um doente ou um moribundo, não prestarás atenção à aparência externa, mas dirás a ti mesmo “Ele É”. A consciência do “como” é necessariamente o “é”. É isto compreensível ou não? Se Deus se manifesta como o teu “tu”, portanto é a harmonia a tua verdade.

A mais poderosa expressão no vocabulário da oração é a palavrinha “é”. A harmonia é, Deus é, a alegria é, a paz é, a abundância é, a onipresença é. Será que pode haver algo que curar, algo que mudar, algo que renovar, ou algo que aniquilar na presença da onipresença? Percebes os fenômenos externos, as aparências dos sentidos, mas não te deixarás desorientar por elas. Podem os olhos ser testemunhas da doença de alguém, testemunhas da pobreza ou da culpa de alguém – mas o espírito te diz: “Não! Isto é Deus em sua manifestação: isto é uma individualização de Deus; e por isto, a harmonia é a verdade, independentemente do que meus olhos veem ou meus ouvidos ouvem”.

A cura espiritual supõe uma consciência altamente desenvolvida. É uma consciência capaz de penetrar as aparências e enxergar para além; é uma visão de dentro, que nos dá a certeza desta verdade, mesmo quando os nossos olhos enxergam um ladrão ou um moribundo. Ninguém pode ser curador espiritual eficiente se não possuir a certeza: ‘Este é meu filho amado, no qual me comprazo’. É sem importância o testemunho dos sentidos externos. Algo no teu interior deve cantar, e o cântico que teu interior canta deve dizer: “Este é meu filho amado, no qual me comprazo…O Eu no meu interior é poderoso”.

Palavras não resolvem este problema. Deve ser uma convicção interna – e esta só se adquire por meio de exercícios, pela compreensão e pela prática – sem falar da graça de Deus que reside no teu íntimo. Se fores capaz de ficar sentado à cabeceira de um doente moribundo sem um vestígio de temor, porque uma voz canta no teu interior: “Este é meu filho amado…Eu sou onipotente no meu interior…Jamais te abandonarei nem te esquecerei” – então és um curador pelo espírito. Isto supõe uma evolução que só se alcança por exercícios – até que desponte o dia em que esta voz fala de dentro. Ou alguém recebe esta consciência pela graça de Deus, como um presente.

Entretanto, é difícil alcançar esta convicção, se não forem clarificadas certas circunstâncias que fazem parte da cura espiritual. Uma das mais importantes é a função da mente humana.

Antigamente, nos primórdios das assim chamadas curas metafísicas, ensinava-se que o corpo estava sujeito à mente. Era uma ideia nova, tão provocante que o homem moderno começou a treinar neste sentido, controlando o corpo pela mente. Breve foi o tempo dos sucessos – e ainda em nossos dias alguns principiantes colhem certos resultados com este método. O que há de ilusório nesta praxe é que os seus adeptos se esquecem de que por detrás do pensamento está um pensador, e que esse pensador não é nenhuma pessoa – o pensador é Deus, o Deus no homem, a alma humana.

A mente humana é apenas um instrumento de percepção. Podemos, sim, perceber a verdade com a mente, mas a mente não é creadora. O próprio inventor não haure a sua invenção de dentro da sua mente. Ele percebe a existência de certas leis naturais, que sempre existiram; descobre como essas leis harmonizam-se entre si e como devem ser aplicadas. O reto uso da mente como instrumento de percepção faz dela não somente um poderoso instrumento, mas a sua faculdade cresce com o uso e faz eclodir novas forças.

Sabendo que a mente é um instrumento, devemos saber também de quem ela é instrumento; porque todo instrumento deve ser conduzido e controlado por alguém. Infelizmente, a maior parte dos homens não descobriu ainda aquele centro interior capaz de dirigir eficazmente o intelecto humano. Adeptos das ciências mentais, quando tentam dominar a mente pela força da vontade ou pela modificação de pensamentos, chegam, geralmente, à experiência de que a mente humana não se deixa dominar pelo homem; e a disposição desses estudiosos acaba por ser pior no fim do que era no princípio, revelando-se em estados de esgotamento nervoso.

A mente humana é um instrumento de algo que está acima dela. Esse algo é o verdadeiro Eu do homem, a tua autêntica IDENTIDADE; se esse teu Eu interno guiar e controlar a tua mente, então encontrarás a paz, uma paz perfeita, que transcende o entendimento humano.

Certas fotografias de Tomás Edison nos dão ideia de uso correto da inteligência: esses retratos mostram o grande inventor, quase sempre, com a mão junto ao ouvido, em uma atitude de intensa auscultação. Os seus colaboradores sabiam contar numerosas estórias sobre isto; Edison lhes distribuía os trabalhos de pesquisa, e cada um elaborava aquilo de que era capaz – e, no fim, apelavam para a sabedoria do mestre. A mão do inventor ia imediatamente ao ouvido, Edison escutava uma voz inaudível – e depois dava as suas instruções para o próximo passo.

Nesta altura, quero frisar a diferença entre duas atitudes: uns tentam servir-se da mente como de uma força creadora – outros servem-se dela como um simples instrumento de percepção. Se eu trabalhasse no plano puramente mental, dos pensamentos, fecharia os olhos e repetiria incessantemente a mim mesmo: “Teu corpo está sadio; teu corpo funciona normalmente; teu corpo reage a esta verdade; que me é consciente” – e, provavelmente, o resultado desse exercício mental seria um certo alívio benéfico do mal. Com efeito, nos primeiros tempos dessas terapias metafísicas houve uma onda de resultados admiráveis. Na realidade, porém, os curadores não haviam atingido a verdade plena, quando cuidavam que a mente pudesse curar o corpo humano, próprio ou alheio. Era uma das etapas intermediárias, certamente superior àquele outro estágio em que o homem considerava o corpo material como fonte e origem da vida.

Do ponto de vista da cura espiritual e da vida espiritual, o processo é bem diferente.

Das alturas desta perspectiva, é Deus a alma, a vida e lei única de todos os seres; a mente humana é o instrumento, e o corpo é a sua forma manifestativa externa. Quem trabalha neste plano e recebe o grito de socorro de um doente, fecha os olhos e não pensa pensamento algum. Não reflete o que o doente deva comer ou beber, ou como deveria ser a sua saúde. O curador espiritual senta-se tranquilamente, na consciência de que a sua mente é um vaso receptivo. Receptivo, para receber o quê? Para receber em si aquela “voz suave e silenciosa”, que se chama Deus, e que é a alma dentro do homem. Não discorre sobre coisa alguma; assume simplesmente uma atitude de auscultação. Então se fará ouvir aquela “voz suave e silenciosa” – e a terra degela!

De dentro desse silêncio, em que tu te fizeste quase um vácuo – um vácuo auscultativo – sempre vigilante, nunca dormente, nunca fatigado, nunca hesitante, sempre consciente e ativo, na expectativa da visita do Cristo – de dentro deste grande silêncio, de dentro deste infinito, que é Deus, das profundezas de tua alma, o Deus em ti, se fará ouvir uma voz ou surgirá um sentimento, uma vibração, uma libertação, uma certeza – indiferente o nome que lhe dês – e lá se foi a ilusão e nasceu a Verdade…

Não importa a natureza do problema, quer seja de caráter físico, mental, moral ou financeiro, ou se trate de harmonizar relações sociais – não faz diferença alguma; pois não é a tua sapiência que vai tratar do assunto. Tu não haures daquilo que aprendeste durante os anos da tua peregrinação terrestre. Manténs uma atitude completamente receptiva para Aquilo que te creou no princípio e que sabe da situação de cada indivíduo; e se tu permitires que esse Poder se manifeste, estarás lá onde deves estar, sob a jurisdição de teu Pai celeste, sob o domínio desse Alguém, que sabe das tuas necessidades, antes que tu mesmo as conheças; desse Alguém que se compraz em dar-te o reino…

Faze da tua mente um simples instrumento de percepção, em vez de investires com a tua cabeça contra a muralha de um problema aparentemente insolúvel, em vez de te preocupares com o pensamento qual seja o próximo passo a dar, amanhã, depois de amanhã – habitua-te a escutar, servindo-te da mente como de um canal para receber as águas vivas da Fonte. Permite que Deus encha a tua mente. Sê uma testemunha do espírito  divino, que move, anima e penetra tanto a mente como o corpo.

Percebe, através da tua mente, a Verdade de Deus, e esta Verdade realizará a obra; não tu, nem os teus pensamentos. Não é a atividade da tua mente que libertará alguém; é a atuação da Verdade que, através do canal da tua mente, libertará alguém dos seus males.

Talvez já notaste que, quando um nadador tenta manter o corpo na superfície da água, quanto mais agita os membros mais vai afundando; o que ele deve fazer é manter-se em estado de calma relaxação, movendo vagarosamente pernas e braços e deslizando suavemente pela água. É esta a atitude do curador espiritual – uma calma e tranquila receptividade.

A cura pelo espírito é algo maravilhoso, quando se nos torna tão natural como o nadar ou como o respirar. Se não for isto, pode ser mais fatigante que o mais duro trabalho diário. O curador espiritual, quando está alicerçado na Verdade divina, mantém-se livremente suspenso em Deus e permite que o espírito de Deus flua através dele. Deixa jorrar a Verdade, e a Verdade o libertará, seja a ele mesmo, seja o seu paciente. Isto é obra da Verdade, nunca do homem.

É esta a atitude realmente humilde, que repousa no espírito: “Eu, de mim mesmo, nada posso fazer” – mesmo que o tentasse. Flutuando livremente na atmosfera da Verdade, será a obra realizada pela Verdade…Ao nadares, deixa que as águas suspendam o teu corpo – ao curares, deixa que o espírito de Deus realize a cura. Não tentes influenciar a Verdade com a tua mente. A Verdade é infinita – o teu intelecto é finito. Não procures modificar a verdade infinita até que caiba dentro do recipiente da tua mente finita.

A inteligência e o corpo nos foram dados como instrumentos a nosso serviço. Não somos daqueles que negam a existência do corpo ou tentam libertar-se dele – assim como não tentamos extinguir a mente ou excluí-la da nossa vida. O corpo nos foi dado para que pudéssemos entrar em contato com esse mundo material. O corpo, com seus órgãos e suas faculdades, é um instrumento a serviço do nosso Todo, admiravelmente sintonizado para esta tarefa. É um instrumento de Deus para manifestar a sua glória. O verdadeiro uso do corpo consiste em que o ponhamos a serviço de Deus e o deixemos guiar e controlar por Ele. E isto nos leva àquele estado de leveza em que “o império repousa sobre os ombros do Senhor”. Não há nenhum caminho capaz de promover, por meio de pensamentos ou preocupações, o processo da alimentação, digestão ou eliminação; a mente não nos foi dada para esse fim. A mente é um intermediário pelo qual percebemos a Verdade, e esta Verdade rege todo órgão e toda função do nosso corpo. A Verdade fortalece os nossos músculos. A Verdade nos dá a possibilidade de sabermos tudo que for necessário.

Toda e qualquer palavra da Verdade que o teu consciente receber se tornará uma parte integrante da tua mente e do teu corpo. Não és tu que dominas o teu corpo, não és tu que dás ordens à tua mente – mas é a atuação da Verdade em tua consciência, atuação essa que se serve naturalmente do teu intelecto, que o conserva puro e claro, ativo, vivo e harmonioso. E o intelecto, por sua vez, orienta o teu corpo, dá-lhe ordens e o domina. A atuação da Verdade funciona como estímulo que purifica tanto a mente como o corpo.

Há em ti um único centro, e neste centro se acha armazenado todo o teu patrimônio espiritual – imortalidade, eternidade, vida, amor, lar, infinita plenitude. Este centro não se encontra em teu corpo, e é tempo perdido procurá-lo ali. Esse centro é o teu consciente, e esse consciente não está no teu corpo; o teu corpo está nesse consciente, que é ilimitado. E é por isto que podes, após pesquisas e exercícios, fechar os olhos e saborear a paz e achar-te dentro ou fora do teu corpo, ou onde quiseres estar; então serás capaz de haurir, de dentro do ilimitado tesouro da tua consciência, tudo que houveres mister para a tua evolução, hoje, amanhã, até o fim do mundo e para além deles, através de toda a imensidade.

Muitos dos curadores metafísicos acham difícil a terapia de sofrimentos físicos por meios espirituais, porque lhes falta a compreensão da verdadeira natureza do corpo. Esta incompreensão nasce de uma ideia inexata da palavra “matéria”. Desde o início, andaram os adeptos da doutrina metafísica desorientados por esse conceito.

A maior parte dos que usam conscientemente o vocábulo “matéria” ignoram totalmente o seu verdadeiro sentido; ouviram que a matéria é irreal, uma simples ilusão dos sentidos, e que é inanimada; e, em se tratando da matéria do corpo, negam a realidade e a existência do corpo, procurando deste modo superá-lo e aboli-lo.

Como poderia a matéria ser irreal, se ela é indestrutível? A ciência provou que a matéria é uma substância indestrutível; ela pode, sim, mudar a sua forma e assumir outra, mas não pode ser aniquilada; ela pode ser dissolvida em moléculas ou átomos – e o que resta? Resta energia. A matéria não deixou de existir, em consequencia desta redução ao seu constitutivo básico; mudou apenas de fora. Não há nenhuma possibilidade de aniquilar a matéria, porque ela é indestrutível.

Na realidade, a substância da matéria é espírito; matéria é espírito tornado visível; espírito tornado visível em forma de matéria.

A água, por exemplo, pode transformar-se em vapor; mas este processo anda destrói, e seu peso é conservado em qualquer forma. Um copo de vidro pode ser reduzido a pó de vidro e desaparecer da vista, mas os seus componentes continuam indestrutíveis, e no laboratório se pode provar que continuam a existir e que têm o seu peso.

Mas, perguntarás, se a matéria é indestrutível, como surgiu a crença de que ela seja irreal, mera ilusão dos sentidos?

A mais antiga crença de que a matéria seja irreal e que os objetos que vemos, ouvimos, tangemos, cheiramos e saboreamos sejam ilusórios, é atribuída a Gautama Siddhartha, mais tarde chamado o Buda (Iluminado). Sobre esta base, realizavam, ele e seus discípulos, curas maravilhosas. Os seus discípulos posteriores, porém, descompreenderam a palavra “Maya” ou “ilusão”, e a interpretaram como algo alheio ao seu próprio Ser, como algo externo. Quando, no século passado, o mundo recebeu pela primeira vez a doutrina metafísica, afirmaram seus adeptos que os nossos sentidos estavam sujeitos à ilusão. Em vez de afirmarem esta doutrina, começaram os assim chamados metafísicos a ensinar, infelizmente, que tudo que há no mundo é ilusão, inclusive o corpo. Mas este mundo não é uma ilusão – ilusão é a ideia que nós formamos do mundo.

A cura espiritual baseia-se na afirmação de que pecado, doença e morte não têm realidade em si mesmos, mas que consistem, somente na opinião ilusória de nossa parte. Entretanto, a matéria não é irreal; este mundo não é irreal. Este mundo é belo, imortal, eterno. Este mundo não será jamais dissolvido em nada; mas os nossos conceitos sobre este mundo sofrerão modificação, bem como se modificará a ideia que temos do corpo. Todo adulto admitirá que ultrapassou a ideia do seu corpo de criança e aceitou a ideia do seu corpo de adolescente; e ultrapassou também o conceito sobre este, quando se desenvolveu em homem maduro. Na medida que progredir no caminho da compreensão espiritual aceitará uma ideia espiritual do corpo, mas não possuirá um corpo mais espiritual do que esse que já possui agora.

Provavelmente, haverá quem zombe dos metafísicos e dos místicos por causa do uso de palavras como “real” e “irreal”, “realidade” e “irrealidade”. Os metafísicos são, muitas vezes, ridicularizados por causa de expressões como “isto é irreal”. Dois carros colidem na estrada, e se desfazem em fragmentos; aparece o metafísico e afirma: “Isto é irreal; nada aconteceu; pura ilusão”. Poderemos levar a mal o mundo que se ri de semelhante linguagem? O mundo não compreende o sentido da palavra “irreal” – e o pior é que nem o próprio metafísico, que tais palavras emprega, sabe o que elas querem dizer.

Em nossos livros sobre auto-realização entendemos por “real” ou “realidade” somente aquilo que é espiritual, eterno, imortal, infinito, Real, realidade somente é aquilo que é Deus. E, neste sentido, é evidente que não podemos ver, ouvir, tanger, cheirar ou saborear a realidade.

Por outro lado, os termos “irreal”, “irrealidade” se referem a tudo que não é permanente, seja agradável ou desagradável à nossa percepção.

E, neste particular, costuma o metafísico cometer o seu grande erro: quando vê uma pessoa sadia, ou alguém que considera como bom ou moral, diz, geralmente, desta situação que ela é real; mas, se encontra um doente ou um pecador, diz que isto é irreal. Entretanto, essa interpretação é inaceitável à luz de uma compreensão filosófica. Real é somente aquilo que é do Espírito, de Deus, da alma. Só a alma é capaz de perceber o real. O que não é perceptível pela faculdade interna da alma não é real. A isto se refere Jesus quando diz: “Vós tendes olhos, e não vedes; tendes ouvidos e não ouvis”.

Quando falamos de pecado e doença como sendo irreais, não queremos negar a sua existência objetiva. Enganamos a nós mesmos quando afirmamos que essas coisas não existem. Mas como, desde a nossa infância, nos foi impingido que o mundo material é real e que o nosso corpo material é real, para nós também existem as doenças. Quando afirmamos que doença, pecado e morte são irreais não queremos com isto afirmar que estas coisas não existem; negamos apenas a sua existência como parte integrante de Deus e como pertencentes à Realidade divina.

No âmbito do Real, no reino de Deus, as desarmonias que os sentidos percebem não têm existência, realidade. Mas isto não elimina o fato de que temos de sofrer sob o impacto dessas desarmonias; a sua irrealidade e inexistência, da parte da realidade divina, não diminui nem elimina as nossas dores, as nossas necessidades, as nossas deficiências, porque, em virtude da nossa percepção sensorial , sofremos com esses fenômenos.

No princípio de toda a sabedoria está o conhecimento de que essas coisas não necessitam de existir. A libertação dessas desarmonias não é alcançada pelo fato de recorrermos a Deus por socorro, mas sim pelo fato de descobrirmos o Deus verdadeiro, de subirmos até aquelas alturas da vida onde há somente Deus: Não há tal coisa como libertação de desarmonias, libertação de pecados, libertação de desejos impuros; não há libertação de pobreza – há somente liberdade, a liberdade em Deus, a liberdade no Espírito, o Deus-Liberdade.

Quem descobre o Deus-Liberdadenão necessita de libertar-se de coisa alguma, porque na Liberdade não há escravidão.

Se te encheres plenamente com o Espírito, verás que a Lei espiritual te encherá com todas as coisas de que necessitas. E assim se realiza também a cura do corpo; não porque Deus pense em palavras ou conceitos de um corpo doente – nem sequer de um corpo fisicamente sadio – mas porque tu, superando o conceito do material pela realização do espiritual, a tua consciência se transformou e realizou harmonia, em uma linguagem e em uma forma que te são compreensíveis.

Não usemos jamais expressões como estas: “É irreal – não é verdade – não aconteceu”, antes de compreendermos que aquilo de que falamos só é irreal, não-verdadeiro, inexistente da zona do Reino Espiritual. Somente à luz desta compreensão, podemos afirmar que doença, pecado, pobreza, deficiência, são irreais e não participam da verdadeira Realidade.

O divino Mestre via a irrealidade do poder, do poder maligno, quando respondeu à ameaça de Pilatos “Não sabes que eu tenho o poder de crucificar-te, e o poder de soltar-te?”, com as palavras “Não terias poder algum se não te fora dado do alto”. Jesus admitia o poder temporal de Pilatos; mas, em virtude da sua consciência crística, que vivia na Realidade, sabia também que nenhum poder temporal tinha poder sobre a sua consciência espiritual. Do mesmo modo curou a orelha do soldado decepada por Pedro, e não opôs resistência à violência física; também na cruz proferiu as palavras “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Ele enxergava para além desses atos humanos e sabia que não eram reais, isto é, que não participavam da Realidade permanente, eterna, imortal. Foi também em virtude dessa faculdade de discriminação espiritual que ele foi capaz de sair vivo do sepulcro. À luz da sua consciência espiritual, não havia poder algum na crucificaçãp.

Esta mesma consciência espiritual, iluminada – essa mesma consciência crística – está presente, aqui e agora, através dos séculos e milênios. E é esta mesma consciência crística que dá aos curadores espirituais dos nossos dias a possibilidade de curar doentes e libertar os pecadores; é a convicção de que as formas do mal são irreais, não-participantes da harmonia do reino de Deus, e que essas formas do mal são inconsistentes em face da permanente realidade de Deus. Homem! Cultua a Deus, na firme convicção de que o Reino Espiritual é íntegro e invulnerável, e que nenhuma doença, nenhum pecado, nenhuma pobreza, nenhuma deficiência faz parte do Reino de Deus; que em nada há substância permanente, que em nenhum desses males reside uma lei, uma legalidade real e duradoura.

Depois de firmarmos esta convicção em nosso interior, passemos a considerar mais algumas expressões usadas no mistério da terapia espiritual.

Por via de regra, não falamos de uma enfermidade como sendo doença, mas sim um aspecto, uma aparência. Assim, por exemplo, designamos a tuberculose, o câncer, a paralisia, como aspectos ou fenômenos. Perguntará o leitor se faz alguma diferença usar esta ou aquela palavra. Faz, sim, uma vez que a terapia espiritual representa a atuação da consciência, e enquanto as sutis particularidades do processo curativo não estiverem claramente apreendidas, não pode a verdade exercer a sua atuação no consciente do curador, produzindo a cura.

Tomemos um exemplo. Alguém viaja pelo deserto. De repente, como acontece não raro, vê o caminho todo coberto de água. Automaticamente pára o carro; pois não pode atravessar um lago de automóvel. Provavelmente, o primeiro pensamento será este: “E agora, que fazer? Como atravessar a água? Como remover da estrada essa água?”

O viajante olha em derredor, mas não há possibilidade de socorro. Olha novamente para a estrada, mais atentamente – e verifica que não existe água nenhuma. O que ele vira era uma dessas miragens do deserto, uma fantástica fada-morgana, reflexo aéreo de algum lago longínquo. Sorrindo da sua ilusão, põe em movimento o carro e prossegue viagem. Enquanto o homem via água no caminho, esperava inutilmente que a água fosse removida; mas, no momento em que reconhece que o fenômeno não passa de uma simples ilusão, nada mais o impede de proseguir.

É exatamente isto que se dá no campo da cura espiritual. Enquanto nos ocupamos com câncer, tuberculose, paralisia, tumor, resfriado, gripe, etc., estamos em um beco sem saída. Que fazer contra esses males? Como libertar-nos deles? Será que temos o poder de os eliminar? Ou haverá algum Deus que os possa remover? Milhares de orações sobem a Deus, pedindo-lhe que cure os nossos males, que modifique as circunstâncias ingratas – mas é inútil…Deste modo nada acontecerá…

Mas, então, o que fazer?

Enquanto a doença permanecer em nossa consciência como doença, nada poderá ser feito contra ela. Mas, se uma consciência mas iluminada nos fizer ver que não se trata de uma doença, mas sim de uma ilusão ou miragem creada por nós, então foi dado o primeiro passo para a cura. Na realidade, é fácil o processo curativo, seja qual for a doença, contanto que o mal, doença ou pecado seja reconhecido na consciência como inexistente no plano da realidade divina, mas apenas existente no plano do nosso ego humano.

Enquanto uma doença for realidade para ti, enquanto crês que a febre tem de seguir o ser curso, enquanto tentas reduzi-la com certos expedientes, enquanto tentas reprimir um tumor, enquanto acreditas que uma doença deva necessariamente percorrer este ou aquele processo – estás fora da terapia espiritual, embora a tua mente esteja desempenhando o seu papel.

Cura espiritual total consiste em não reconhecer a realidade de uma situação negativa. Eu, tu, ou outro homem qualquer que queira curar pelo Espírito, deve crear em si um estado de consciência em que Deus e as obras de Deus – o Verbo de Deus, o Universo de Deus, o Homem de Deus – sejam tão intensamente reais que nenhum contrário, nenhum negativo, nenhum mal, nenhuma doença, possam coexistir com esse Deus do Universo ou esse Universo de Deus.

A eficiência do processo curativo baseia-se, sobretudo, na realidade de Deus e na realidade da sua creação – quer ela se manifeste como homem, como corpo ou como Universo; e, em segundo lugar, se baseia no reconhecimento da não-realidade de tudo aquilo que nos aparece em forma de doentes ou pecadores, de enfermidades ou de circunstâncias indesejáveis.

  Importa que compreendamos o sentido correto das expressões “real” e “irreal” – a sua significação em sentido espiritual. Com outras palavras: tudo que podemos perceber com os sentidos físicos não passa de uma ilusória miragem no deserto, porque a mente, servindo-se desse material dos sentidos, o interpreta erradamente. Discernindo essa miragem a doença cede lugar a saúde. Mais ainda, quando o homem começa a compreender espiritualmente, todas as coisas que o cercam – flores, nuvens, estrelas, o nascer e o pôr-do-sol – tudo começa a aparecer de modo diferente, ultrapassando a capacidade da mente humana. Para além do invólucro visível destas coisas se revela algo mais, algo que nem os sentidos percebem nem a mente concebe. Quando percebemos as coisas pelo poder espiritual, descobrimos o homem verdadeiro, assim como Deus o creou, segundo a sua imagem e semelhança – e é precisamente esta faculdade, de conhecer a realidade, que realiza a cura pelo Espírito.

Através de Joel S. Goldsmith

Um Curso para a Vida…

 

MT Sensei meditation

Divinos personagens,

Masaharu Taniguchi foi a forma que Deus Sumiyoshi assumiu para se expressar no cenário deste mundo. O ensinamento contido em “A Verdade da Vida” é um ensinamento divino e por isso capaz de desfazer todos os condicionamentos que as pessoas têm que impedem que elas reconheçam sua origem e real identidade de Filhos de Deus! A propósito este ensinamento divino parte desta base – a afirmação de que o homem é Filho de Deus – e tem como objetivo a conscientização de que verdadeiramente o homem é Filho de Deus!

Com o objetivo de que não se perca o ensinamento divino contido em “A Verdade da Vida” é que Deus Sumiyoshi está assumindo novamente a forma de alguns divinos personagens para ministrar este curso doutrinário Seicho-No-Ie Masaharu Taniguchi.

Percebam que o convite para ter este curso não vem de personagem algum!
Percebam Quem aparece como cada um dos Professores convidados; Percebam que o Mestre presente em cada um deles os leva a estar compartilhando com a humanidade este ensinamento divino. Com esta percepção chegará o momento durante ou até mesmo antes do curso que perceberão que é também o Mestre em cada um de vocês Quem os está conduzindo a este curso. Então perceberão a plena verdade contida na declaração do próprio Masaharu Taniguchi que disse: “Cada um dos senhores é um Masaharu Taniguchi”!
Conscientizem-se de que é a própria percepção da Imagem Verdadeira em nós Quem percebe a Imagem Verdadeira!

Muito Obrigado!

O renascimento do Eterno…

discipulos jesus1Divinos personagens,

Está escrito:

“Eu Sou o que Vive; estive morto, mas eis que estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno.” Apocalipse 1:18

 

Poderia se indagar: Como é possível ao que é Eterno ter estado morto? Ou como é possível ao Eterno nascer novamente?

Do ponto de vista da percepção mental, que é dual, parecem fazer sentido estas indagações. Mas o ponto a ser notado aqui é precisamente este: a mente é quem faz estas indagações e é também quem vê sentido nestas indagações!

Do ponto de vista da percepção consciencial, que é unitária, estas indagações não fazem sentido.

Assim, a interpretação que se deve dar a esta revelação divina é esta: “Eu Sou o que Vive; (conforme a percepção mental) estive morto, mas eis que (conforme a percepção consciencial) estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno.

Outro ponto a ser notado aqui é que “morte e inferno” pertencem à Representação (mundo dos personagens) e não à Realidade Divina (universo do Ser Real). Aqui a Consciência do Ser está revelando que tem as chaves da representação! O Ser Real está plenamente consciente de que a representação é uma representação. Já a mente do personagem toma como real o que é uma representação. E é isso que torna possível a representação divina ser encenada com tamanho realismo!

Assim, o Ser que é Real, que É Quem É, e que se revela como Eu Sou, está revelando que É o que Vive! e que está Vivo por toda a eternidade!

Ao dizer que “estive morto”, o Ser revela que assumiu um personagem na representação que “morreu”, mas que Ele está Vivo por toda a eternidade! E revela ainda que aquele que morreu na representação tem as chaves da morte e do inferno. Aquele que morreu na representação é chamado em algumas passagens bíblicas de Cordeiro de Deus por ser o personagem no qual Deus se ofereceu em sacrifício para revelar que a vida verdadeira é a Vida de Deus, que é Eterna. E o divino personagem Jesus Cristo que foi enviado pelo Pai disse: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco.”

E tendo compartilhado tudo o que ouviu, de Jesus foi revelado ainda que “a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

E conhecer Jesus é perceber que é ele Quem revela: Eu Sou o que Vive; estive morto, mas eis que estou vivo por toda a eternidade! E possuo as chaves da morte e do inferno.

E conhecer Jesus é renascer por saber que Ele é o Eterno que Vive EM nós e que sendo a Verdade tem as chaves da libertação tanto da morte quanto do inferno em que vivem os que estão imersos na representação!

Seja amigo de Cristo, ouça Suas palavras e compartilhe o que dele ouviu, tal como Ele divinamente o fez!

Transcenda os limites das ilusórias indagações mentais; E eleve-se do simples acreditar em um Cristo distante e separado de você à verdadeira fé que te faz perceber que o real Cristo está vivo Em você pela eternidade! Enfim, perceba e promova o “renascimento do Eterno” que Vive em você!

Pelo natal, meus votos de um feliz “renascimento do Eterno” em você!

 

O Homem é feito do “Verbo” de Deus

O que se segue é o trecho extraído do Livro Imagem Verdadeira e Fenômeno – coleção Masaharu Taniguchi – vol. 4, págs 52, 53 e 54. Com frases essenciais do próprio texto em negrito ou grifadas e comentários feitos por Aquele que aparece como o nosso Amigo João W. Henley, entre [colchetes], em itálico e na cor cinza claro. E isso é praticamente só uma única página deste Livro.

 

O Homem é feito do “Verbo”  de Deus

 
É evidente que a Seicho-No-Ie não se baseia em teoria materialista, mas também não se fundamenta exatamente em simples teoria espiritualista. 
 
[Percebam que não se trata nem de voltar sua atenção para o mundo material, nem voltar sua imaginação para um suposto mundo espiritual. Não há mundo material e o mundo espiritual é exatamente Este, aqui e Agora!!]
 
Para ser mais exato, a Seicho-No-Ie é uma prática da filosofia [ensinamento, doutrina, postura, modus vivendi, Experiencia de Realidade] denominada Yuishin-Jisso-ron. Esta filosofia afirma que a Totalidade das coisas existentes no Universo foi criada somente por Deus. É puro Jissô [Realidade, Fonte, Deus] pois tudo o mais não passa de falsidade, o que quer dizer que é inexistente. O que existe realmente é só Deus. 
 
E Deus é Verbo [Vibração]. Na Bíblia consta que “No princípio [na Fonte] era o Verbo [Vibração] e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. [a Vibração estava na Fonte e era uma extensão da própria Fonte. Vibração e Fonte são UM].Todas as coisas foram feitas por ele”.[Tudo o que existe é Vibração, É a própria Fonte, o próprio Deus, UM]. Quer dizer que todas as coisas são materialização [Manifestação, talvez e somente talvez, sob o aspecto de forma]. do Verbo de Deus [da Vibração da Fonte]. ou seja, do pensamento [vibração] divino. E Deus é o Bem infinito, a Perfeição infinita. O Mundo bom e perfeito criado por Deus é o Mundo do Jissô, onde tudo é infinitamente perfeito e harmonioso [E esse mundo É Aqui e Agora]. O homem que nele aqui reside é filho de Deus [Extensão do próprio Deus, manifestação], e é também infinitamente perfeito. Vocês são tudo isso!
 
De que são feitas as coisas no Mundo do JISSO? Elas não são feitas de matéria [conceito materialista]Entretanto, nós as vemos [as coisas do Mundo do Jisso]através dos nossos olhos carnais, e, por isso, surgem à nossa frente sob forma material. Em outras palavras, são traduzidas para a forma material, palpável. No entanto, o verdadeiro ser foi criado pelo Verbo de Deus.
 
Na Bíblia, consta isso quando o diabo [ilusão, ignorância, conceito materialista] disse a Jesus “Se tu és o Filho do Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão”, ao que Jesus respondeu: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra de Deus”. Isto aconteceu quando Jesus jejuava durante 40 dias e 40 noites, nas margens do rio Jordão, efetuando a purificação [Deus Sumiyoshi]. Realmente, o homem não está vivo graças ao pão que é matéria, mas graças ao Verbo que sai da boca de Deus. [Vibração que emana da Fonte].
 
Sair da boca de Deus não significa “boca” igual à do corpo humano, porque não havia forma humana no início da criação do Universo [na Fonte Primordial]Deus existe permeando o Universo, e, por isso, boca de Deus corresponde ao pensamento [vibração] de Deus. O homem vive através da vibração do Verbo – ondas de pensamento – emitido pela Mente divina. Com diz a sutra Chuva de Néctar da Verdade, “Quando a Mente deste Deus Onipotente, deste Deus Onipresente entra em vibração e se torna Palavra [Kotoba], desenvolve-se todo Fenômeno {Fenômeno Jissô] e todas as coisas passam a ser”, o homem é uma presença espiritual, resultante da Palavra de Deus. Por isso, na citada sutra, o ideograma chinês que representa Espírito [Vibração de Deus] vem acompanhado do indicativo de que se pronuncia Verbo.
 
Assim, o homem [Você] é uma Existência Real Espiritual [Vibração de Deus] e não uma presença material [baseada em um conceito materialista]. O Mundo do Jissô criado por Deus é perfeito e harmonioso, não existindo qualquer mal. Esse mundo existe aqui, neste momento, mas os cinco sentido carnais não conseguem percebê-Lo. Somente a pessoa que desperta aquilo que poderíamos chamar de percepção do Jissô é que consegue ver mentalmente esse mundo perfeito.
 
Se desse uma denominação filosófica a essa cosmovisão, que afirma já existir, aqui, esse mundo perfeito criado por Deus, seria “Filosofia Yuishin-Jisso-ron“. A filosofia da Seicho-No-Ie não é um simples espiritualismo. Se fosse, ficaríamos doentes ao pensarmos na doença, seríamos pobres por pensarmos na pobreza, ou ricos ao pensarmos na riqueza. A situação da vida mudaria sucessivamente conforme o estado da mente e não reconheceríamos que no âmago dessa situação visível existe o mundo Real, eternamente perfeito e inalterável!

 
Texto divino com comentários nucleares de João W. Henley 
Domo Arigatô Gozaimasu!
 


Comentário ao texto “Universo Perfeito x Universo Imperfeito”

Personificações do Ser Real,

 

O que se segue é um comentário ao texto publicado no Templo dos Iluminados em 

http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2014/06/universo-perfeito-x-universo-imperfeito.html

 

 

Inicialmente agradeço pelo texto dAquele que “aparece como” Gugu, o autor do texto, que é também Aquele que “aparece como” Joel Goldsmith; e que é tb Aquele que “aparece como” Masaharu Taniguchi; e que é tb Aquele que “aparece como” você, leitor! Mas aparece onde? Aparece na “Representação” Divina, aquilo que no texto é chamado de “Universo Imperfeito”. E pode sê-lo! O que se deve atentar é que enquanto “Representação” ela é perfeita! Ou seja, aquilo que é perfeito [o Universo Perfeito] está sendo percebido como algo diferente do que realmente É, ou seja, está sendo percebido como o Universo Imperfeito. Mas é justamente esta “percepção distorcida” que possibilita a “Representação” e isso só reafirma a perfeição!

Assim, o que é real [o Universo Perfeito] permanece sendo o que É, algo real; O que não é real [o Universo Imperfeito] permanece sendo o que não é real, ou seja, uma “Representação”, mas que enquanto “Representação” é possível como manifestação da própria Realidade…

O chamado “Universo Imperfeito” não está dissociado do chamado “Universo Perfeito”, pois, a única “Realidade” é o Universo Perfeito! Não há nenhum outro lugar fora do Universo Perfeito. O chamado “Universo Perfeito” além de perfeito é também omniabrangente, ou seja, engloba tudo e não comporta limites. Assim, o chamado “Universo Imperfeito” é uma “Representação” perfeita, ou seja, é uma manifestação perfeita, enquanto “representação”, que ocorre dentro do próprio “Universo Perfeito”.

Por isso, os que tiveram a visão do Real, a visão da Realidade Divina, descreveram essa visão como se eles mesmos fossem o Universo! e que como se tudo estivesse dentro de si mesmos!

Os que acompanham os posts do nucleu.com confrontem essa afirmação com a experiência do Sr. Sawada [adepto da Seicho-No-Ie] e de Sandy Nat [devoto de Sai Baba], só para citar alguns.

Tal como você, caro leitor, o meu personagem é também o mesmo e único Ser Real, ou seja, é Aquele que “aparece como” um personagem na “Representação” e compartilha a percepção de que somos todos manifestações dAquele Ser único, que é o Ator divino, atuando em Seu Universo Perfeito! Isto implica afirmar que nós não existimos em um “Universo Imperfeito”… Nós nos movemos e temos nossa vida real em Deus, ou seja, no “Universo Perfeito” e Divino!

Contudo, a visão da mente do personagem que estamos representando é bastante realística! Isto significa que ela nos fará acreditar que existe um “Universo Imperfeito” no qual vivemos…

É por isso que o ensinamento que meu personagem compartilha no Núcleo [vide nucleu.com] enfatiza que além da visão da “mente do personagem” [que é a percepção do personagem] há em nós a visão da “Consciência do Ser” [que é a percepção do Ser Real; a visão de nossa real identidade].

Por isso Cristo disse: “Esteja no mundo [esteja na Representação], mas não seja do mundo…”

E disse também: “Eu desse mundo não sou, vós também não sois…”

E disse: “Quem vê a mim [o Ator divino] vê Aquele que me enviou [o próprio Ator divino]…”

Mas para ver que Jesus é o Cristo, ou seja, para perceber que o personagem Jesus é de fato o Cristo, para perceber que ele é o Ator, o Ser Real divino por traz do personagem, e que ele não é quem ele está representando [não é quem ele está “aparecendo como” na Representação] é preciso ter a visão do próprio Ator! É preciso transcender em nós a visão da mente e acessar a visão do próprio Ator, que é a visão ou percepção da Consciência.

A visão da mente é sempre um julgamento, fruto dos nossos condicionamentos, e por isso não é possível ver o Real [não é possível perceber a Realidade subjacente à Representação] com esta visão mental condicionada e superficial. A visão condicionada sempre resultará em ver algo de forma condicionada. Assim, os que viram Jesus com esta visão condicionada só o viram como um personagem humano, e não o viram como aquele Ser que desceu do céu…

Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.
E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?
João 6:41-42

54 … E diziam: De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas?

55 Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?

56 E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? [Mateus 13]

 

Assim também se “a visão do Espírito de Deus” estiver em nós, ou seja, se estivermos percebendo como o Ser percebe, também nos veremos e a todos os demais seres como Aquele mesmo Ser Divino que desce do céu… Nós nos veremos como Aquele Ser que “desce do céu”, ou seja, que aparentemente deixa a condição de Quem É, tal como É na Realidade [no chamado “Universo Perfeito”] para atuar na Representação na condição de “personagem” [para assumir um papel na “Representação Divina”, no chamado “Universo Imperfeito”].   

Por isso ao perceber Quem em realidade Somos imediatamente percebemos Quem todos São!

Assim, quando se perguntarem:

“De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas?

De onde lhe veio, pois, tudo isto?”

 

A resposta é simples: Veio de onde tudo provem: Da Realidade Divina!

Veio da Fonte, quer seja ela chamada de “Céu” ou de “Universo Perfeito”…

Por isso um divino personagem compartilhou na Bíblia a percepção de que:

“Nós vivemos, nos movemos e temos a nossa existência em Deus” {que é a Realidade}.

 

Complementando, a “Realidade” única é o chamado “Universo Perfeito”.

O chamado “Universo Imperfeito” é uma manifestação perfeita, enquanto “Representação”.

O conteúdo da “Representação”, ou seja, aquilo que se passa no chamado “Universo Imperfeito”, pode parecer não ser perfeito para a “mente dos personagens” que estão na Representação. Mas a Representação em si é uma manifestação perfeita! 

Os divinos personagens que em vez de julgar de forma condicionada o que veem contemplam o que veem… percebem a perfeição!

Portanto, se você, leitor e divino personagem do Ser Real, quiser perceber a perfeição que subjaz à Representação você terá que não pensar sobre o que vê [parar de julgar], mas apenas passar a contemplar o que vê… Então sobrevirá a você a meditação, que é uma percepção não mental, não condicionada, uma visão elevada, profunda, que está no “núcleo”, no âmago de seu próprio ser! 

Então perceberá o que pode ser percebido; desfrutará o que pode ser desfrutado; e irá compartilhar a percepção que desfrutará…    

É que o percebo, desfruto e compartilho.

Namastê!