Vivemos em um universo espiritual

Joel Goldsmith
Alguns anos atrás, quando de minha viagem à África do Sul, fiz uma parada de um dia no Congo Belga. 
 
Após o encarregado dos papéis e seu assistente examinarem minha passagem, o que é feito sempre que julgado necessário, e pesaram minha bagagem, eu pedi a um garotinho nativo que carregasse minhas malas para o avião no qual voaria para Joanesburgo. 
 
Aquele era um pequeno aeroporto, tanto que pude ver o garotinho quando se dirigia porta afora, para o campo, com uma grande mala em cada mão e uma pequena debaixo do braço. Poucos minutos depois ele voltou sem a bagagem, e dirigi-me a ele interrogativamente: “OK?”, ao que ele respondeu: “OK”.
Quando, na manhã seguinte, cheguei a Joanesburgo, havia apenas a pequena maleta esperando por mim, e as outras duas peças grandes da bagagem estavam extraviadas. 

Imediatamente o pessoal desse enorme e ativo aeroporto começou a procurar minha bagagem, mas não a encontraram nem no compartimento nem junto às coisas da tripulação; além disso, mandaram vasculhar o avião, onde tampouco foi encontrada. O encarregado da Linha Aérea me disse que faria imediatamente contato com a estação do Congo Belga, e que logo teria uma resposta para mim, de modo que nada me restava fazer a não ser ir para o hotel.
Os estudantes do Caminho Infinito de Joanesburgo haviam arranjado as coisas para que eu visitasse o Parque Nacional Krueger, e assim, depois de comprarmos algumas roupas necessárias, iniciamos nossa caminhada de três dias por essa fabulosa reserva de vida selvagem, levando conosco a expectativa de que encontraríamos a bagagem na nossa volta. 
 
Ao retornarmos, porém, nenhuma bagagem havia sido encontrada. A única explicação que a Linha Aérea tinha a oferecer era que alguém deveria tê-la roubado, e que esse alguém deveria ser o garotinho nativo e seu comparsa, já que a ultima fez que as malas foram vistas foi quando foram carregadas para o campo de aviação.
O absurdo daquela suposição era evidente, pois ninguém poderia ter levado aqueles duas grandes peças de bagagem para fora do campo sem ser notado.
Apesar disso, todos os quartos da aldeia foram revistados e o lugar virado de pernas para o ar, já que as autoridades estavam convencidas de que havia ocorrido um roubo. A despeito de toda essa confusão, contudo, nenhuma mala foi encontrada.
Durantes três semanas fiquei na África do Sul sem bagagem, sem carteira, sem dinheiro e sem documentos – mas não foi um grande incômodo, pois comi regularmente, as contas do hotel forem pagas e as roupas estavam compradas, embora o mínimo indispensável, porque estava eu convencido de que minhas malas apareceriam, o que aliás era uma convicção muito falsa – metafisicamente falando. 
 
Duas noites antes de viajar para a Índia, sentei para fazer algumas sérias considerações sobre todo o affairda bagagem. “Isto representa uma falha de minha parte. Mas qual seria a falha? O que deu errado?” 
 
Sentado no meu quarto, pensando e meditando,finalmente veio-me a resposta: “Este é um universo espiritual e, todavia, aí estou eu esperando pelas malas,quando a verdade é que não há qualquer bagagem”. 

Tudo o que a bagagem é não passa de parte de uma crença em tempo e espaço – espaço ocupado pela bagagem, tempo em que ela poder ter se perdido e espaço no qual poder der se perdido. 

Aqui estamos, tentando achar as malas que, se forem encontradas, serão apenas uma evidencia de que a cena humana foi manipulada. 
 
Não há verdade nesse quadro todo, pois vivemos num universo espiritual, onde ninguém precisa de malas. 
 
O que quer que haja de realidade é incorpóreo, espiritual e onipresente; e, se aparecer como uma bagagem finita no tempo e no espaço, será uma imagem no pensamento, e não poder ter uma realidade própria e autônoma; assim, eu estive a perder tempo na esperança e na expectativa de que uma bagagem material se manifestasse num universo espiritual, onde toda ideia é onipresente. Com isso, fui me deitar.
Após tal descoberta, a história chegou rapidamente à sua conclusão. O assistente do chefe da Linha Aérea em Joanesburgo estava sentado à mesa às 8 horas da manha seguinte quando, aparentemente vindo do nada, veio-lhe o pensamento: “A bagagem não pode dissolver-se no ar. Ela só pode desaparecer entre aqui e acolá – e deve estar em algum lugar, mas onde?” 
 
De repente, veio-lhe outra ideia, e ele foi até o hotel onde a tripulação se hospedara durante a parada da noite, e onde estavam as duas peças de bagagem no chão, onde haviam esperado por três semanas. Ninguém pensara em tal possibilidade; de fato, ninguém pensara em alguma forma de solução pratica até que eu parasse de pensar na bagagem.
Essa história ilustra um ponto muito importante na cura e no viver espirituais. Na metafísica, geralmente pensaríamos: “Oh, bem, vai aparecer” ou “Não pode estar perdida”. 
 
Em outras palavras, estaríamos negociando com algo chamado bagagem. A falácia desse método de encarar um problema torna-se visível imediatamente porque, em caso de doença, e para sermos coerentes, deveríamos fazer um tratamento que lidasse especialmente do coração, fígado, pulmões, estomago, intestino, cabeça ou pés, e estaríamos completamente fora do reino do ser espiritual.
Muitos de nós não sabem o bastante para tratar as pessoas pelo nome, e nós não sabemos o bastante para tratar coração, fígado ou pulmões: bastará ver quão facilmente pudemos ser logrados no caso da bagagem.
Tornamo-nos mais autoconfiantes, acreditamos estar caminhando na direção certa e logo a seguir o ilusionismo dos sentidos humanos faz-nos lembrar da bagagem, ou da sua falta.
Compreendamos agora: eu não estava preocupado com a perda da bagagem; meu erro era ter certeza de que ela iria aparecer, o que é exatamente o mesmo que estar seguro de que o coração de alguém ficará bom ou seu pé doentio ficará melhor, ao passo que o princípio sobre o qual se fundamenta todo o nosso trabalho é que a verdadeira criação é aquela narrada no primeiro capítulo do Gênesis, no qual Deus fez tudo o que fora feito, e tudo o que Ele fez é bom. 

A criação espiritual é incorpórea, e prova disso é que havia luz antes que houvesse o sol no firmamento. 
 
Se vivemos e nos movemos e temos o nosso ser na criação espiritual, como está consignado no primeiro capítulo do Gênesis, podemos ter tudo aquilo de que precisamos sem ter bagagem. 
 
O mundo sensorial, aquele que podemos ver, ouvir, cheirar, tocar e saborear, é criação irreal, descrita no segundo capítulo do Gênesis – uma imagem mental dentro da mente. 
 
Se nos lembrarmos de que não devemos tentar manipular o cenário humano ou manusear a imagem mental que existe apenas como uma sombra dentro do nosso pensamento, testemunharemos a rápida dissolução dessas imagens. 
 
Não confunda o que estou dizendo: eu sei que quando viajamos a bagagem parece real e necessária. 
 
Também sei que, a maior parte do tempo, o nosso conceito de corpo parece real, porque uma coisa o traz para dentro da nossa consciência, e que, por causa disso, há a tentação de pensar que seja real. 

Nós não negamos o corpo – ele é real. Mas aquilo que vemos como corpo não é o corpo; é uma imagem mental dentro do nosso pensamento – um conceito mental universal, individualizado dentro de nós. 
 
Não há tal coisa como um corpo material: o que há é apenas um conceito material do corpo. 

Não há um universo material: o que há é um conceito material de um universo espiritual.
Enquanto aceitarmos o conceito material do universo, estaremos sob as leis da matéria; mas estaremos livres tão logo comecemos a compreender que vivemos, nos movemos e temos o nosso ser no primeiro capítulo do Gênesis, onde o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, do Espírito. Onde a Alma de Deus é a Alma do homem, a vida de Deus é a vida do homem, a mente de Deus é a mente do homem e o corpo de Deus é o corpo de homem. 
 
Saiba todavia que o seu corpo é o templo do Espírito Santo – não o corpo como aparece no espelho, mas como realmente ele é.

Logo depois da minha descoberta – não lidamos com a bagagem material, e sim com a onipresença – considerada-, conscientizado de que seria necessário alguém para a demonstração, alguém também desperto para a ideia de onipresença, foi justamente ali onde esse alguém estava que a bagagem foi encontrada, sem problemas. 

Para entender o que são o corpo e o universo, é só chegar à descoberta que trará a solução:
“Eu vivo, me movo e tenho o meu ser em Deus; eu estou no Pai, e o Pai está em mim. Como posso ser finito, em ser limitado, e ter Deus infinito dentro de mim? Devo pois ser tão espiritual quanto o Pai que me criou. Todos os seres devem ser espirituais, e dentro dessa criação espiritual nada de finito pode entrar para limitar ou criar qualquer sentido de separação”. 
Texto de Joel Goldsmith
Compartilhado pela Divina Personagem EUleila CEUma
Gratidão!
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